MINERAÇÃO

O SILÊNCIO DOS CORVADES E A MINERADORA VALE

NADA DE NOVO NA TERRA DOS ZUMBIS

Camara Federal, momento de minuto de silêncio para as vítimas do desastre, a arrogancia do principal executivo VALE

Conforme Paulo Souza, o único Consultor em mineração e siderurgia em Parauapebas,  a fala do presidente da Vale Fabio Schvartsman e sua posição de não se levantar nos minutos de silêncio em homenagem aos mortos e as reiteradas negativas da mineradora em negociação com suas próprias vítimas revelam que a empresa ainda não aprendeu com seus próprios erros. Prender funcionários é o mesmo que correr atrás do seu rabo, culpabilizar subordinados é uma velha solução. Não condiz com um player global do porte da Vale, é decepcionante, perturbador, terrível. Há uma torpe tentativa de deixar tudo como era antes e nesse quesito vejo Parauapebas explicitamente concordando. É loucura, somos a próxima Minas Gerais e aqui pode estar a próxima Brumadinho, não apenas por mares de lama e rejeitos, mas pela política de risco que atualmente domina os procedimentos básicos de gestão da Vale. Hora de revisar. Temos uma extensa pauta para discutir e providenciar, o risco maior não é um mar de lama, são sutis alguns, outros explicitamente perigosos.

Causa espanto e vergonha o silêncio covarde dos líderes local, executivo, legislativo, sociedade civil. Nenhuma ação, nada. Tudo concordando e se submetendo aos interesses de uma empresa que – a seu próprio bem, deve e precisa se reorganizar para voltar a garantir. É hora de revermos a política de risco adotada na nossa região, hora de rediscutir o linhão ilegal e a ferrovia cortando a cidade desnecessariamente, hora do código mineral do município virar realidade. Hora de se discutir mais segurança, ambiental, social e econômica. mas o silêncio aqui impera e todos já estão conformados.

O mais impressionante e sem vontade de agir é que, não sabemos ainda quem vai liderar essa reação, se houver uma. Os prefeitos de Parauapebas, Marabá, Canaã, Curionópolis e Eldorado são naturalmente natimortos quando o assunto é mineração, seu principal sustento. As câmaras de vereadores abrigam expressivo número de interesses locais e também dependem e talvez não compreendam seu próprio silêncio e inatividade. Caberia aos Secretários de Mineração algo se estão submetidos aos interesses dos seus chefes?  Parece um beco sem saída esperar por uma ação reestruturante desses agentes. O que faremos sem a força do estado frente ao poderio ilimitado da mineração?

São por esses momentos, quando se torna necessário surgir uma liderança discordante, que os vereadores de Parauapebas nunca conseguiram sair da câmara municipal. Ao longo do tempo seus eleitores – por mais mercantis que sejam – avaliam suas ações e negativas e refazem seu voto por um diferente, alguém de fora, que mereça ainda o benefício da dúvida.

Por que vereadores desanimados e particularistas como os que temos e por extensão, toda a região do sudeste do Para – A nova Minas Gerais, não merecem, por suas ações e silêncios, a frágil concordância com o absurdo, nunca mereçam se tornarem executivos?

Diante do silêncio covarde de Darci, Tião Miranda, Jeová, Adonei e Boiadeiro, seriam as câmaras municipais com mais poder para dialogar e alterar radicalmente a relação com a Vale na região. Podem falar que não deu tempo, mas hoje Barão de Cocais, a histórica e bucólica Barão de Cocais teve suas sirenes ligadas. Nova Lima e outras cidades em Minas correm o risco de destruição.

O fato é que não temos informações sobre as treze barragens que existem em nossa região.  Não podem ninguém se habilitar nesse momento a concordar com as afirmativas da Vale sobre segurança, apenas loucos o fariam.  temos um plano de emergência referendado?  Sem contar o perigo iminente do linhão de Tucuruí que atravessa a cidade e da linha férrea que desnecessariamente rasga a cidade ao meio. E não deveriam estar aqui, virão para o noticiário e as redes sociais apenas quando for tarde demais, porque a vida não volta, a partida para o além é definitiva e ninguém quer morrer.

Um grupo de trabalho é um forte indicativo de que nada será feito. São como as CPIs, que vimos à exaustão terminarem em nada.

A Vale seria a principal interessada em resolver uma situação que por si é incomoda e terrível. Ouvir os discordantes locais e nacionais, verificar onde no seu corpo se alojou o vírus de desleixo, da economia a qualquer custo e\ou da incompetência gerencial.

As “autoridades locais” até entendemos o silencio e a ausência de vontade: estão acostumados a deixar como está para ver como é que fica. Razão maior de Parauapebas andar sempre para trás e se ver envolvida em tantos escândalos desnecessários porque manipular orçamentos e dinheiro público é muito fácil e nem para isso essas “autoridades”, esses “intocáveis” tem competência.

No artigo http://publicarevista.blogspot.com/2019/02/quanto-valem-vidas.html, foi apresentado para a mineradora vale sugestões que sabemos serem importantes para contexto atual, afinal não e nunca é apenas criticar, mas apresentar-se para o debate, expor ideias e fazer acontecer. Há soluções práticas e imediatas, negociações a serem iniciadas, mudanças  a serem implementadas.

As negociações de bastidores bloqueiam a possibilidade real de transformação. Pior para Parauapebas.

 


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