MINERAÇÃO

TRAGÉDIA DA VALE PODE FAZER A FRONTEIRA COMPETITIVA DO MINÉRIO DE FERRO DO BRASIL DESAPARECER

O desastre da represa de 25 de janeiro em Brumadinho deverá derrubar a competitividade do Brasil no mercado mundial de minério de ferro e provocar uma resposta de fornecimento das minas na China, bem como novos projetos que poderão ser implementados nos próximos anos.

Isso está de acordo com analistas da CRU, sediada em Londres, que dizem que a quebra da barragem não só terá um impacto imediato no fornecimento de minério de ferro, preços, qualidade e pellet premium, mas também um impacto de longo prazo sobre o minério de ferro brasileiro. competitividade da indústria à medida que a qualidade se deteriora e os custos de produção aumentam.

Caso o Brasil imponha regulamentações mais rigorosas sobre barragens de rejeitos e o uso de beneficiamento úmido, produtos de alta qualidade, como pelotas com teor de ferro típico de cerca de 66% a 68%, serão prejudicados, afirmam os analistas Erik Hedborg e Andrew Gadd.

A Vale já declarou força maior em contratos de pellets depois que uma ordem judicial em Minas Gerais suspendeu a barragem de Laranjeiras.

A quebra da barragem também deve adiar o retorno da produção da joint venture de pelotas de minério de ferro da Vale e da BHP, a Samarco, que em 2015 sofreu uma quebra na parede da barragem, matando 19 pessoas.

“O mercado estava antecipando um retorno da Samarco em 2020, o que agora vemos como altamente improvável”, afirma Hedborg e Gadd.

Até agora, 70 milhões de toneladas por ano de capacidade foram desativadas, das quais a CRU espera que 40 milhões de toneladas permaneçam off line por “tempo considerável”. A incerteza sobre a perda de oferta e a duração da queda na oferta fará com que os preços do minério de ferro sigam uma trajetória ascendente em 2019, incentivando novas ofertas a entrar no mercado.

A CRU espera que a resposta mais forte da oferta venha de produtores de alto custo, como as minas chinesas, os produtores da Commonwealth de Estados Independentes e, até certo ponto, as júniors australianas, enquanto a expectativa é de que a resposta de suprimento seja menor. A CRU argumenta que grandes mineradoras já eram incentivadas por altas margens para maximizar a produção antes do acidente e, portanto, não se espera que mudem suas metas de produção.

A Rio Tinto, no entanto, pode aumentar a produção em até 12 milhões de toneladas este ano, caso atinja o topo da sua meta para 2019, de 350 milhões de toneladas. No ano passado, a australiana produziu 338 milhões de toneladas.

A CRU também diz que o setor de transporte marítimo foi duramente atingido pela quebra da barragem, com as taxas de frete do Brasil para a China caindo 20% desde meados de janeiro.


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